Saturday, February 14, 2009

Era de manha e ela tinha dificuldade para acordar. O quarto estava frio, bem frio. Por baixo do lençol estava ela, se protegendo com suas meias cor de laranja. Todos já estavam de pé, uns conversando, outros fazendo o café, outros caminhando. Cada um tinha uma tarefa a fazer, ainda que não fossem definidas. Saio por um instante e o sol já está alto e forte. Tiro rapidamente meus óculos escuros, e os coloco. Não eram muito escuros mas conseguia proteger meus olhos do sol. Começo a caminhar e a cada passo penso em mil coisas, que acredito serem importantes. Eu era criativo e conseguia transformar esses potenciais problemas em situações irresolvíveis. Tratava-se de uma pobre ilusão, já que o mais importante estava dentro da casa. Volto ainda sem saber disso, e por muito tempo permaneci assim, meio alienado, sem saber o que era importante. Todos queriam passear e já tinha passado da hora, no entanto, ninguém tinha ido lhe acordar. Ainda que parecesse serena, um tanto infantil, todos a temiam. Me aproximo da porta devagar e abro vagarosamente, num silêncio estrategicamente calculado. Flexas de luz entram no quarto fazendo com que as meias cor de laranja, que se destacavam naquele quarto cinza e frio ficassem ainda mais vivas. Por um momento contemplei aquele momento. De repente, ela se levanta aos poucos, descabelada, sem um sorriso no rosto. Sua roupa estava amassada e ela não parecia feliz. Ainda que pareça loucura, era simples e belo seu despertar. Aquele dia eu a acordei e não precisei falar uma palavra. Tudo estava silencioso, cinza e frio, onde o que se destacavam eram apenas as suas meias cor de laranja....
Duas coisas me ocorrem neste instante: Primeiro, percebo que daqui para traz o caminho foi duro e cruel; Segundo, que daqui para frente ele nao vai mudar. Não há como negar isso e ao perceber me canso... ainda que seja belo cada recomeço, esperançoso, ele significa que tudo faz parte de uma sequencia triste, de várias mortes. Palavras reconfortantes, motivação e a fé seriam de bom grado neste momento, ainda que não passem de simples aspirinas. Não prego o pessimismo, eu nem admito que exista isso ou o contrário. Não reclamo, não duvido, sobretudo me canso.